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Portugal consegue juro mais baixo de sempre para emitir 1.000 milhões a curto prazo. Taxas ficaram abaixo de -0,55%

A agência que gere a dívida pública portuguesa foi ao mercado para um leilão duplo de títulos a três e 11 meses. Emitiu um total de 1.000 milhões de euros, o máximo indicativo, e renovou recordes.

A agência liderada por Cristina Casalinho emitiu 750 milhões a 11 meses, com um juro de -0,557%. A taxa conseguida fica significativamente abaixo dos -0,395% que o país tinha obtido no leilão de títulos com este prazo, realizado a 19 de junho. Este tinha sido, na altura, o valor mais baixo de sempre, sendo que este recorde foi agora batido.

Já no caso dos BT a três meses, o IGCP colocou 250 milhões de euros, a uma taxa de -0,563%. Também neste caso houve uma quebra face aos -0,425% registados na última colocação comparável, na mesma data. Neste prazo, o anterior mínimo histórico tinha sido registado a 15 de agosto de 2018, quando o país emitiu BT com um juro de -0,432%.

“Portugal volta a ver mínimos históricos nos leilões de dívida de curto prazo”, afirmou Filipe Silva, diretor da gestão de ativos do Banco Carregosa, em reação à emissão. “Os receios de uma possível recessão e um discurso mais cauteloso por parte dos bancos centrais têm levado os prémios de risco da dívida soberana mundial para mínimos sem precedentes”.

“A possibilidade de termos novas medidas de estímulo para as economias, para fomentarem o crescimento e inflação, continuam a suportar esta tendência”, sublinhou sobre a política expansionista do Banco Central Europeu (BCE). Com os juros de referência em mínimos e o programa de compra de ativos ainda em curso, a instituição liderada por Mario Draghi sinalizou que irá lançar um novo pacote de estímulos em setembro.

Taxas obtidas nas emissões de BT a 3 e 11 meses afundam

Data3 meses11 meses17-02-201620-04-201615-06-201617-08-201622-09-201615-02-201721-06-201716-08-201718-10-201721-02-201818-04-201820-06-201815-08-201817-10-201820-02-201917-04-201919-06-201921-08-2019-0.6-0.4-0.200.2

Toda a dívida portuguesa até aos oito anos com juros negativos

A fuga dos investidores de ativos mais arriscados para a dívida, que se reflete nos juros, revelou-se esta quarta-feira no apetite dos investidores por títulos portugueses. A procura manteve-se robusta neste leilão, em que o montante indicativo foi inferior ao das anteriores emissões de dívida realizadas ao longo do ano. Em comparação com a última colocação de títulos da mesma maturidade (em que a oferta era maior), a apetite foi maior.

A procura por BT a 11 meses foi 2,05 vezes superior à oferta (contra 1,71 vezes no último leilão comparável), enquanto nas BT a três meses a procura foi superior à oferta em 4,35 vezes (em comparação com 3,10 vezes na anterior emissão).

Além da recuperação da confiança dos investidores em Portugal após a crise, tem sido principalmente a fuga das ações em direção às obrigações (causada pela expetativa face ao BCE e aos receios de recessão) que tem beneficiado Portugal.

O país tem conseguido consistentemente forte procura pela dívida e tem renovado mínimos históricos nos juros obtidos tanto em mercado primário e secundário. Enquanto os títulos a curto prazo têm juros cada vez mais negativos, também as obrigações a médio e longo prazo têm seguido esta tendência.

No mundo já temos mais de 16 biliões de dívida com yields abaixo de zero e Portugal não foge à regra uma vez que já tem yields negativas para maturidades até os oito anos“, lembrou Silva. Os obrigações benchmark, ou seja a dez anos, chegaram a tocar um mínimo histórico de 0,08% no final da semana passada e negoceiam esta quarta-feira em 0,17%. “O cenário atual tem vindo a ser muito benéfico para Portugal pois tem vindo a permitir reduzir o custo médio da nossa dívida”, acrescentou.

Entre as obrigações que estão com juros negativos, incluem-se títulos a dez anos de uma série de países europeus, como França ou Holanda, mas o caso mais expressivo é o da Alemanha (cuja dívida é vista como ativo-refúgio). O país tem toda a dívida até aos 30 anos com yields negativas em mercado secundário, sendo que a Alemanha emitiu, também esta quarta-feira, pela primeira vez Bunds com este prazo a juros negativos: -0,11%.

Eco 21/08/2019