Bank Millennium compra Eurobank por 428 milhões de euros
5 Novembro, 2018
Embraer prevê pedido de 1.390 novos jactos comerciais na China em 20 anos
6 Novembro, 2018

Exportações de vinhos deverão exceder 800 milhões de euros

Vendas de vinho nacional no estrangeiro cresceram 6% até junho, tendo Portugal obtido as maiores taxas de crescimento em diversos mercados.

As exportações de vinhos em 2018 deverão exceder a barreira histórica dos 800 milhões de euros, de acordo com as expetativas de Jorge Monteiro, presidente da ViniPortugal. Em declarações ao Jornal Económico, este responsável revelou que no primeiro semestre deste ano as exportações de vinhos portugueses mantiveram a tendência de crescimento dos últimos anos.

“As vendas de vinhos portugueses para o exterior atingiram 370 milhões de euros no primeiro semestre deste ano, o que traduz um crescimento de cerca de 6% face ao período homólogo. Mais importante é que todas as regiões cresceram neste período nas vendas para o exterior. Como o segundo semestre é normalmente melhor que o primeiro, tudo indica, pelo menos faz-nos acreditar que este ano devemos passar a barreira simbólica dos 800 milhões de euros”, defende Jorge Monteiro. Recorde-se que no passado as exportações de vinhos portugueses se fixaram em cerca de 778 milhões de euros.

O presidente da ViniPortugal considera que há países em que as exportações portuguesas de vinho continuam a crescer a taxas muito interessantes. São os casos da Suécia (9,6%), Canadá (4,3%), Noruega (38,9%), Japão (12,2%) e Brasil (28,2%), por exemplo. O presidente da ViniPortugal explica também que os vinhos licorosos, como o vinho do Porto, sendo produtos mais maduros, estão a crescer menos que os vinhos tranquilos, que os vinhos DO (Denominação de Origem) ou IG (Indicação Geográfica).

“Há aqui dois mercados que merecem destaque. O primeiro é Angola, onde se está a assistir a uma alteração de perfil. As dificuldades financeiras do país e o problema das divisas levaram a que houvesse uma quebra de 18% nos vinhos DO e de 52% nos vinhos IG durante o primeiro semestre deste ano. Por seu turno, os vinhos não certificados cresceram 15,7% no mesmo período. Penso que terá de haver uma adaptação a este novo tipo de mercado. Pode ser uma falsa questão porque pode haver importações indiretas, mas o mercado de Angola merece algum cuidado”, alerta Jorge Monteiro.

O presidente da ViniPortugal assinala ainda que o mercado de Hong Kong “está a transformar-se numa grande plataforma de comércio internacional de vinhos, onde entra e sai muito vinho para a China”. “No primeiro semestre deste ano, Hong Kong caiu 25% no que respeita às exportações de vinhos portugueses, o que levanta algumas dúvidas se vale a pena continuar a trabalhar este mercado”, admite Jorge Monteiro.

Segundo as estatísticas da ‘Wine by Numbers’, a que o Jornal Económico teve acesso, no primeiro semestre deste ano, Portugal ficou posicionado em sétimo lugar no ranking de vinhos engarrafados importados na Alemanha, em 11º lugar no Reino Unido, em 7º na Rússia, em 4º lugar na Suíça, em 8º nos Estados Unidos, em 9º no Canadá, e em 11º na Coreia do Sul e no Japão.

No Brasil, apenas fomos superados pelo Chile no que respeita ao volume dos vinhos importados, ultrapassando inclusivamente os vinhos da Argentina, que tem neste país um tradicional mercado de exportação dada a sua proximidade geográfica.

Mas mais importante que o posicionamento, quase sempre consistente entre os dez maiores exportadores de vinhos para estes mercados considerados os mais relevantes a nível mundial, além da China, de que não foi possível obter dados são as taxas de crescimento dos valores das exportações dos vinhos nacionais para esses países.

“No Canadá tivemos a maior taxa de crescimento neste primeiro semestre, no Brasil, tivemos a terceira maior taxa de crescimento, nos Estados Unidos, fomos a terceira maior taxa de crescimento, na Rússia crescemos 44%”, destaca o presidente da ViniPortugal.

Jorge Monteiro chama ainda a atenção para o facto de as vendas de vinhos espumantes parecerem estar a ganhar uma expressão mais consistente. “Parece haver aqui um ganho de importância do espumante. Durante muito tempo, as vendas de espumantes nacionais só tinham alguma relevância para Angola e para o Brasil, mas agora também estão a ser vendidos com alguma importância em Espanha”, nota o responsável. Trata-se de um comportamento positivo, com margem de crescimento enorme, até porque as exportações de espumantes nacionais valem apenas cerca de 10 milhões de euros por ano.

Fonte: Jornal Económico” 05-11-2018